Realización de inversiones aprobada por los fondos de la Unión Europea

Fecha de publicación: 25-04-2016

El 14/04/2016 se aprobó el apoyo financiero de la Unión Europea / FEDER a la Caixotaria Manuel Costa & Filha, Lda. El objetivo de este proyecto es la instalación de una nueva línea de producción que permite una mayor capacidad y una mayor diversidad de productos que llegan a mercados distintos del sector del vino. Se puede ver la ficha del proyecto en el siguiente enlace: Projecto

Notícia publicada por Anastácio Neto no jornal “O Primeiro de Janeiro” a 23/01/2001

"Cem anos de Caixotaria

No número 82-88 da Rua Conselheiro Veloso da Cruz têm saído, ao longo de mais de um século, as emblemáticas caixas de madeira que servem de acondicionamento e protecção às preciosas garrafas, que contêm o vinho do Porto, durante as suas longas viagens, desde Gaia até aos 4 cantos do Mundo, onde são saboreadas com requinte e satisfação. São muitas décadas dedicadas a uma actividade criativa e engenhosa na qual as caixas de pinho são trabalhadas pelas mãos hábeis de artífices e transformadas em caixas sólidas e compactas, as maiores capazes de acolher 12 garrafas, as mais pequenas, individuais, onde é gravada a fogo a marca do fabricante do vinho, assim como qualquer outro dizer que torne aquela embalagem única para a satisfação do destinatário mais exigente. Ao entrarmos na caixotaria depressa nos invade o odor a pinho e os nossos olhos deparam-se com várias pilhas de caixas cujos destinos são tão longínquos como o sucesso e a fama do nosso vinho do Porto. Encontrámos no seu escritório Manuel Costa, sogro do actual proprietário da empresa que nos contou histórias de outros tempos. Fazendo uso de uma memória prodigiosa anotou a maior parte das firmas que, na sua infância, dominavam a rua dando-lhe um movimento e uma agitação saudosista. Desde o largo das Devesas recordou a existência dos armazéns de vinho do Porto de Armando Silva e Filhos, de Vicente Costa, uma fábrica de rolhas de cortiça, uma drogaria (onde actualmente se situa a imobiliária Ramos), a União das Companhias de garrafas e garrafões (um vestígio Nortenho do império do vinho da Marinha Grande), e o armazém de vinhos da SOVIGAL. Não nos é difícil imaginar que todas estas empresas tinham como estímulo, por um lado, a estação de caminho de ferro, no início da rua e por outro, as caves do vinho do Porto, a poucos metros dali, na margem do Rio Douro.

Nestes tempos, a empresa de Caixotaria tinha cerca de 20 empregados e Manuel Costa ainda se recorda da época em que a rua era galgada por mulheres que aliando a força brutal à delicadeza precisa para um bom equilíbrio, carregavam à cabeça os caixotes para serem entregues, algumas ruas mais abaixo, nas caves do vinho do Porto. Como o pagamento era efectuado por unidade, a cada caixote entregue correspondia a 1 escudo, não era caso raro encontrar mulheres com 10 ou mais caixotes à cabeça. O mesmo sucedia com a chegada do comboio que trazia as tábuas de pinho com doze palmos, mais de dois metros e meio de comprimento, que eram também trazidos, num balancear quase corrido, feito de um equilíbrio precário, em que os pés enfiados nas socas calcavam com segurança as pedras da rua Conselheiro Veloso da Cruz, em direcção à caixotaria.

Uma genealogia quase Perfeita

Em jeito de escritor latino-americano, o antigo proprietário, patrono da família Costa, deu-nos a conhecer a genealogia dos vários proprietários deste estabelecimento secular, anotados descontraidamente, um dia numa conversa com o tio José António. Num gesto solene, retirou do velho cofre um papel com cheiro a antigo, como se de uma relíquia se tratasse, onde, pela sua mão, jazia uma lista de nomes encabeçados por Vasconcelos e oliveira. À medida que o seu trémulo dedo apontava os nomes manuscritos, Manuel Costa desfiava o rol dos proprietários seus familiares. Após a saída de Vasconcelos a firma ficou em nome de Francisco de Oliveira Zenha (“que já era nosso parente”), tendo, pela sua morte, passado para a viúva. Ficando com a tarefa de levar a bom término os negócios um empregado seu que gostava de ser chamado de António, mas cujo verdadeiro nome era José Costa, estabelecendo depois sociedade com a viúva. Este, tio do nosso fazedor de genealogias, tomou sobre si os destinos administrativos da empresa, agora denominada Viúva de Francisco Zenha e Costas (“os Costas eram o meu pai e o meu tio”). Mais tarde chamada Costa & Irmãos, tendo depois sido, naturalmente, acrescentado e Filhos (“que era eu e o meu primo que se reformou há uns anos”). O nosso idóneo interlocutor explicou-nos com um sorriso que a empresa prescindiu do privilégio do uso do Lda pois “o meu pai e o meu filho foram sempre tipos de boas contas e bons pagadores, como felizmente nós ainda somos. Não há dias de pagar, quando há dinheiro paga-se logo. Nunca passamos uma letra.” Os antepassados do nosso narrador teimavam em não querer o uso do Lda, pois o orgulho do seu bom nome era mais forte que o risco de perderem os seus bens pessoais mas a isso os obrigou quando deste último registo Manuel Costa & Filha, Lta. O arquitecto, de 76 anos, reformado explicou-nos, com um sorriso «babado», que a firma era agora da sua única filha e do genro e “está aqui para durar”. ”